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Vacinação no Rio Grande do Sul atende à demanda, diz minist├ęrio

Por Circuito Araruama em 02/06/2024 às 20:26:13
foto-agenciaa-brasil-arquivo

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O Ministério da Sa├║de negou que haja desabastecimento em relação às vacinas recomendadas para a uso da população do Rio Grande do Sul atingida pelas enchentes. De acordo com a pasta, todas as solicitações feitas pelo estado estão sendo atendidas pelo Departamento do Programa Nacional de Imunizações (DPNI), respeitando a capacidade de recebimento e armazenamento estadual.

"Houve reforço da imunização", disse o secret├írio de Atenção Prim├íria em Sa├║de e coordenador do Centro de Operações de Emerg├¬ncia em Sa├║de, Felipe Proenço, em entrevista à Ag├¬ncia Brasil. Estão dispon├şveis cerca de 300 mil imunizantes, que foram pensados para manter o Programa Nacional de Imunização dentro das orientações que j├í são feitas cotidianamente, mas voltadas para o momento que o estado vive atualmente o Rio Grande do Sul, com a oferta de doses para gripe, covid e tétano, informou o secret├írio.Segundo Proenço, que tem feito visitas frequentes ao Rio Grande do Sul, os pedidos de imunizantes j├í vinham sendo atendidos, mas, diante das emerg├¬ncias, houve reforço no envio de vacinas ao estado, principalmente às destinadas à prevenção da gripe, da covid e do tétano.

Proenço explicou que é preciso entender o contexto: entre as pessoas que estão nos abrigos e aglomeradas, sazonalmente, j├í era esperado aumento de doenças respiratórias. "Mas, nessas condições de abrigados e de pessoas desalojadas, a tend├¬ncia é de aumento das doenças respiratórias. Quanto ao tétano, na medida em que a ├ígua vai baixando e as pessoas vão voltando para casa, para consertar o que é poss├şvel e tirar o que tiveram de perda, elas tendem a se machucar. Nesse caso, a prevenção do tétano é fundamental", disse o secret├írio. De acordo com ele, diante do cen├írio bastante dinâmico do estado, o Ministério da Sa├║de faz avaliações di├írias para verificar se h├í novas necessidades.

"Dentro do que foi demandado e do que temos das equipes volantes da Força Nacional do SUS [Sistema ├Ünico de Sa├║de] que t├¬m acompanhado as ações nos abrigos, estamos em contato constante com a Secretaria de Estado de Sa├║de e secretarias municipais de Sa├║de. Então, no que foi demandado, entendemos que é suficiente", acrescentou.Até o dia 24 de maio, foram encaminhados ao Rio Grande do Sul 955,4 mil imunizantes: 190,4 mil para covid-19, 200 mil para difteria e tétano (dT - dupla bacteriana adulto), 50 mil pentavalentes, 65 mil de DTP (difteria, tétano e pertussis), 10 mil vacinas adsorvidas para difteria, tétano e pertussis (acelular) (dTpa - tr├şplice bacteriana acelular tipo adulto), 22 mil para hepatite A, 5 mil contra raiva canina, 18 mil vacinas contra raiva em células vero e 400 mil para influenza, informou o Ministério da Sa├║de em resposta à reportagem.

Prioridades

Segundo a chefe da Seção de Imunização da Secretaria de Estado de Sa├║de do Rio Grande do Sul, Eliese Denardi Cesar, o estado tem priorizado as vacinas que estão na nota técnica conjunta com o Ministério da Sa├║de, que são contra covid, influenza, tétano, hepatite A e raiva. "Nesse contexto das inundações, das enchentes, essas foram elencadas como prioridade", confirmou Eliese à reportagem.Para o pesquisador Cristóvão Barcelos, do Instituto de Comunicação e Informação Cient├şfica e Tecnológica em Sa├║de da Fundação Oswaldo Cruz (Icict/Fiocruz), Cristóvão Barcelos, mesmo que o ideal seja as pessoas se imunizarem antes de tragédias como as enchentes do Rio Grande do Sul, em alguns casos, ainda h├í tempo de vacinar para prevenir doenças. Barcelos ressaltou que esta é uma inundação diferente porque est├í durando muito tempo e que quem ainda não foi exposto aos riscos patog├¬nicos, daqui por diante, pode ser infectado e ficar doente.

"Como a duração do desastre é muito grande, ainda d├í tempo de vacinar as pessoas mais fragilizadas, mas isso tem que ter critério porque não pode ter vacinação de todos infelizmente", disse Barcelos, em entrevista à Ag├¬ncia Brasil.

De acordo com o especialista, os n├║meros indicam que cerca de 2 milhões de pessoas foram atingidas pelas cheias no estado, e não h├í quantidade de vacinas nesta proporção. "Não existe vacina para 2 milhões de pessoas. Tem que elaborar uma lista de prioridades. Por exemplo, pessoas que estão em abrigos j├í estão recebendo vacinas da gripe, que são doenças respiratórias muito comuns em condições de abrigo. Isso é importante. Pessoas que estão em algum tipo de aglomeração, muito juntas umas das outras", acrescentou.

Entre as doenças que precisam de vacinação, Barcelos destacou a hepatite A e, mais uma vez, sugeriu a adoção de um esquema de prioridades. "Não vale a pena, hoje, vacinar 2 milhões de pessoas contra a hepatite A. Então, tem que selecionar muito bem os grupos que seriam priorit├írios, que tenham alguma defici├¬ncia imunológica. É um momento muito delicado de estimar quais são as ├íreas mais atingidas e os grupos mais priorit├írios para a vacinação."

O professor lamentou que a leptospirose, que tem infectado algumas pessoas no Rio Grande do Sul, não tenha imunizantes. "Infelizmente para a leptospirose não tem vacina."

Log├şstica

Na visão do pesquisador, uma das iniciativas interessantes em termos de log├şstica é fazer atendimento nos próprios locais que receberam fam├şlias desalojadas ou desabrigadas. "Alguns abrigos estão se tornando unidades de sa├║de na pr├ítica, porque ali tem médicos, tem alguma condição de armazenamento, as pessoas j├í buscam abrigo para [receber] alguma atenção. Às vezes, é só para informação, não é algum tratamento, diagnóstico de nada, então, os abrigos j├í estão funcionando como locais de atenção à sa├║de e outros estão sendo retomados."

De certa forma, essa log├şstica diminui o impacto do atendimento nas redes p├║blica e privada de sa├║de. Conforme c├ílculos de especialistas, cerca de 3 mil estabelecimentos de sa├║de das duas redes foram atingidos pelas cheias.

Barcelos disse que o termo correto a ser usado é estabelecimento, porque abrange desde farm├ícias e hospitais, passando por postos de sa├║de, unidades de pronto atendimento e cl├şnicas da fam├şlia. "Estabelecimento de sa├║de é um nome mais genérico para todas as atividades, inclusive farm├ícias e consultórios particulares. Não são 3 mil unidades b├ísicas de sa├║de, são 3 mil estabelecimentos em geral", explicou.

Eliese Denardi Cesar informou que, aproveitando a estrutura dos abrigos, a Secretaria de Sa├║de do Rio Grande do Sul j├í aplicou mais de 21 mil doses de vacinas contra a influenza, além de ter disponibilizado o imunizante nas unidades de sa├║de para a população acima de 6 meses de idade. "Est├í sendo feita essa ação de vacinação que a gente chama de extramuros e também nas unidades de sa├║de, assim como os munic├şpios fizeram vacinação em pontos onde estão socorristas, onde estavam ocorrendo os resgates."

Vacinas

Ainda que o estado não tenha registro de casos de sarampo entre as crianças, Barcelos ressaltou que as cadernetas de vacinação precisam estar atualizadas. "Não custa lembrar para as mães e pais e perguntar sobre o status de vacinação [da criança] para tomar [a vacina] caso esteja faltando", disse ele, acrescentando a necessidade também de idosos tomarem a vacina da gripe. No caso da covid-19, o pesquisador lembrou que, apesar de o pa├şs não estar em momento tão grave de transmissão, é uma das doenças que podem surgir por causa do frio e da aglomeração. Diante da estratégia de vacinação contra a doença, para a qual se espera uma cobertura alta, Barcelos destaca que ela deve ser reforçada em algumas ├íreas, principalmente em abrigos, onde as pessoas podem ficar doentes nas próximas semanas. "É perguntar se a pessoa j├í tomou o reforço da vacina, lembrar as pessoas que devem se vacinar."

A Secretaria Estadual de Sa├║de informou que recebeu, na segunda-feira (27), 56 mil doses de vacinas contra covid-19 do laboratório Moderna da cepa XBB. "Estamos fazendo a distribuição da vacina para os munic├şpios com a cepa atualizada que o Ministério da Sa├║de encaminhou para o estado, para que a população que est├í nos grupos priorit├írios possa ser imunizada. Também foram inclu├şdas as pessoas que estão nos abrigos e os socorristas, tanto profissionais quanto volunt├írios, informou Eliese Denardi Cesar, acrescentando que a secretaria segue a orientação do ministério de inclusão do imunizante no calend├írio vacinação de crianças e grupos priorit├írios.

"Devido a todo este estado de calamidade, foram feitas algumas exceções para o Rio Grande do Sul, como a de vacinar quem est├í nos abrigos e os socorristas", destacou Eliese.

A chefe da Seção de Imunização da Secretaria de Sa├║de lembrou a preocupação de fazer a vacinação prévia contra a raiva para quem trabalha com socorro ou nos abrigos de animais. "Essas pessoas podem fazer a vacinação para prevenir acidentes de mordeduras de animais, principalmente de cães e gatos. Claro que, se j├í houve mordedura, vai ter o atendimento adequado", ressaltou.

No mesmo sentido, segue a orientação para a aplicação da vacina contra tétano. "Socorristas, população com ferimento. Fazer a vacina se j├í passou mais de cinco anos da ├║ltima dose de reforço, fazer um novo reforço da vacina para prevenir contra o tétano, principalmente por causa do contato com a ├ígua das enchentes, contaminada", lembrou a chefe da Seção de Imunização.

Animais peçonhentos

Aranhas podem aparecer em escombros - Léo Rodrigues/Ag├¬ncia Brasil

O pesquisador Cristóvão Barcelos Barcelos chamou a atenção para os casos de aparecimento de animais peçonhentos, que não contam com imunizantes, mas t├¬m tratamento.

"Aranha, escorpião infelizmente são comuns e tem coincid├¬ncia muito grande com as ├íreas que foram alagadas. A distribuição dos acidentes com aranhas parece muito com a mancha de inundação. Onde o habitat [local onde vive a espécie] foi afetado, eles vão procurar abrigos em escombros, restos de construção destru├şda, no lixo. É uma preocupação muito grande", alertou o pesquisador do Instituto de Comunicação e Informação Cient├şfica e Tecnológica em Sa├║de da Fiocruz.


Fonte: Agência Brasil

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